blogoterapia ordinária

23.7.09

Perversão, mar e tons de rosa... só coisas light.

Tenho medo dos seus olhos. Me diga, é possível neles entrar e depois sair ilesa? Ou melhor, viva? Pareço uma criança de 3 anos que enfrenta o mar pela primeira vez. Aquele jeito, sabe, a primeira ondinha fria molhando os pés minúsculos, a tonteira que vem depois, o medo de cair... Me diga, por que eles são assim? Pra quê tanto? O que você viu, sentiu, viveu e sofreu pra apontar esse olhar que me corta e hidrata ainda mais o meu? O que tem aí? Parece que você guarda a minha vida inteira aí dentro. Li isso n’algum lugar...Tenho medo de mergulhar, descobrir sentidos que não são normais e que me arrancariam do meu mundo por onde sempre caminhei na ponta dos pés, sim, na pontinha dos pés, e com passadas lentas de astronauta, meio lerda, desligada... e agora vem você querendo brincar de me fazer levitar... Tudo isso é muito bonito, até eu me lembrar que o seu olhar não é pra mim, não é pra mim...
*
E o seu sorriso é um convite escandaloso. E eu, uma desavisada que prefere ler o mundo com lentes cor-de-rosa 24 horas por dia (pelo menos é um rosa tom Cindy Lauper, não um rosa salmão ou pêssego), eu que preciso do tripé belezasonhopoesia pra me sustentar, eu que não sei de mais nada quando vejo o seu sorriso... um desenho, um mapa para não-sei-onde-mas-me-leva-assim-mesmo... eu viajo no seu sorriso. Posso até dar mil voltas ao mundo olhando o seu sorriso, e a cada volta preciso de um novo artifício pra me orientar. Confusão mental é pouco.
*
Pervertida que sou, gosto de pensar na sua boca, sons, no bafo de álcool e café que ficam, nos beijos de que é capaz, nos soluços aflitos, nos soluços calmos, nos soluços bobos de Homem. Quais beijos ela me daria mesmo? Beijaria a minha testa, os meus olhos, a pinta na minha orelha esquerda? Ah, mas se beijasse e mordesse os meus ombros e a minha nuca, eu desmaiaria num derretimento tão meu, que só eu sei como é... e quando eu acordasse, meu filho, te daria o troco. A minha boca te faria pedir perdão, pois com ela te cobriria de mel e de tantos carinhos descabidos, com tanta devoção e ternura que você veria como eu sou de verdade. E então, eis uma briga dançada de bocas, e o nosso drama não terminaria aí. Mas a sua boca me é sagrada, não posso! Mas pervertida que sou...
Deixa pra lá.
*

22.7.09


Eu não quero mais ser a sua Fabienne do Butch Coolidge, nem a sua Audrey Hepburn. E olha que eu me divertia sendo a sua Fabienne de cachos e olhar molhado... Quero ser apenas, e apenas quando eu quiser, a sua femme fatale. É a única personagem que posso ser pra você agora. Nem nome ela tem, só letras minúsculas. Acabou. De mim você só poderá ter os meus 62 ou 63 quilos.
Àquela época eu queria desesperadamente me apaixonar por alguém. Podia ser qualquer um, só queria que fosse logo, só queria me livrar do seu fantasma. Aconteceu o que tinha que acontecer. O mal acabado é certamente um atraso de vida... Perdi tanto tempo por sua causa... desperdicei beijos...
Mas valeu a pena o reencontro. Alívio, hein!? Voltei a ser o que eu era antes de te conhecer: crisálida. Sabe o que isso significa? Sensação de quem está à beira do próximo êxtase. Estou suspensa novamente, meu bem, ainda intocada, ainda guardada, mas pulsando. Adoro a delícia da espera. E quando for abanar as minhas asas novinhas em folha pela primeira vez, de novo, vai ser para bem longe, um lugar ininteligível para você. Vou dançar com meus coleguinhas da mesma espécie.
É claro que a vida é boa
E a alegria*, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
(Vinícius)

Não confundo alegria com felicidade, nem tristeza com infelicidade. Há os que são tristes quando bem entendem, mesmo que sempre felizes... Há os infelizes absurdamente alegres, e são o tipo que mais me comove. Há os infelizes insuportavelmente tristes, e para estes ninguém quer olhar, são quase o inferno e eu não os suporto. Há os felizes e alegres, que não fazem o meu tipo, são blefes, são chatos, inaudíveis, risíveis, destemperados, e eu quase não os suporto também exceto quando estou bêbada. Sou do primeiro grupo, predominantemente -, pois os outros três volta e meia passam por aqui, dão sua passeadinha... e dou risada à frente do espelho e penso “sua idiota, recomponha-se!”, daí volto ao meu estado mais confortável de gente comum triste-feliz. Talvez eu seja feliz porque sou triste, mas não sei por que sou triste. Só sei que alegria é para momentos muito, muito especiais, alegria deve ser dosada, alegria só com parcimônia, senão, pf...

*(A única alegria desmedida aceitável é a alegria dos apaixonados.)

12.5.08

Ser visita.

Adoro ser hóspede em casa dos outros, me sentir bem-vinda, bem tratada e bem servida. Adoro anfitriã atenciosa (o que é bem diferente de anfitriã vigilante 24 horas por dia), do mesmo modo que a minha mãe faz quando recebe alguém. Almoço especial e roupa de cama limpinha. Adoro ser visita porque não faço cu doce (detesto cu doce!), não temo dar trabalho, fico à vontade, sim, como se estivesse na minha casa, digo sim e concordo com tudo, aceito mais um pouco, sim, como não? tá uma delícia, obrigada.
Voltarei, mas espero que na próxima caminhemos bem mais e estudemos bem menos.

28.4.08

Pérolas.

Nada me fez rir tanto nos últimos meses quanto a primorosa prova de uma aluna de uma amiga, que é professora universitária. Verti lágrimas. A autora do texto abaixo merece toda a minha solidariedade. Acheia-a ousada pela tentativa de alcançar o lado emocional da professora. Sabe-se que a jovem é inteligente e assídua às aulas. Possui 0 (zero) faltas! Por isso, não a vejo como ingênua, e creio no teor sincero do apelo:

Professora, tenho enfrentado severas crises de enxaqueca e insônia nos últimos dias. Eu vinha acompanhando, quase passo a passo, o desenvolvimento da matéria, estudando, sobretudo, pelo Lopes e Silva; todavia, outras provas começaram a aparecer, a matéria avançou e eu fiquei para trás. Não consegui mais acompanhar e recuperar o conteúdo ainda não estudado por causa do meu precário estado de saúde; não pude nem dar uma olhada nas anotações do meu caderno e nos arquivos que estão na internet; estou muito preocupada.
*
Professora, tive que tomar dois comprimidos de Anador para poder fazer esta prova, por isso minha letra sai tremida => estudei este assunto pelo Kombi antes da matéria ser dada em sala, quero dizer, faz tempo, vou tentar escrever resgatando da memória algumas coisas...
*
Li sobre isso nas primeiras semanas de fevereiro; pode perguntar para os bibliotecários Antônio e Tina, todo dia à tarde eu 'tava' indo lá, pegando o Lopes e Silva de consulta interna; depois que comprei o livro, parei de ir lá. Minha base não é boa e estou passando mal; por favor, professora, considere isso, já tranquei a facul por ano e meio, não posso mais perder tempo; estou me esforçando muito, diferente de antes, assisto a todas as aulas com bastante atenção. Espero a sua compreensão. Obrigada.
*
Eu teria dado ao menos uns três pontos a mais pra garota!

25.4.08

Podem me chamar e me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir, melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir
E também podem me entregar
Até sorrir, até chorar
E podem mesmo imaginar o que melhor lhes parecer
Podem espalhar que eu estou cansado de viver
E que é uma pena para quem me conheceu
Eu sou mais você e eu


(Você e Eu - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes)

Imagem daqui, graças a Andréa N.

*

24.4.08

Infantilices.


Foto por Nuno Inácio.



Lá pelos 18 tive um lance com um rapaz cujo apelido era Mingau. Foi decepcionante. "Traí" o Mingau com o Blues, ah... o Blues... um sexagenário de 16, e ele (Mingau) fez o quê? Inventou pra turma que tinha me desvirginado, hahahahaha! Ensandeci.

23.4.08

Na porta da minha casa, não.

Imagem por José Gama, que vi aqui. Sempre.

Babei quando me contaram que o lixinho deixado na porta de casa era presente dos entregadores de gás. Rua tranquila*, arborizada, sabe como é... ideal pra sesta dos homi trabalhadô. Um pedido-aviso foi dado pelo vigilante: favor recolher o lixo após o almoço. Não sei o tom que o meu porta-voz usou, mas não adiantou, repetiram a porcada. Olk, xácomigo. Eis que o meu dia chega. Dei de cara com 2 caminhões e uma pick up estacionados na minha rua, sendo um debaixo da janela do meu quarto. Todos da quentinha me olham enquanto saco caneta e papel pra anotar a placa de cada veículo. Faço cara de paciência. Confiro, encaro mais uma vez e aí sim, entro na garagem. De 5 em 5 minutos olhava pela janela, e nada, doida pra poder dar o meu telefonema surpresa pra matriz da distribuidora, no Rio. E não é que os homi deixaram o canto mais limpo que antes de montar acampamento? Acho que entenderam que a sombra é de graça, mas por favor, não phode.