23.7.09

Perversão, mar e tons de rosa... só coisas light.

Tenho medo dos seus olhos. Me diga, é possível neles entrar e depois sair ilesa? Ou melhor, viva? Pareço uma criança de 3 anos que enfrenta o mar pela primeira vez. Aquele jeito, sabe, a primeira ondinha fria molhando os pés minúsculos, a tonteira que vem depois, o medo de cair... Me diga, por que eles são assim? Pra quê tanto? O que você viu, sentiu, viveu e sofreu pra apontar esse olhar que me corta e hidrata ainda mais o meu? O que tem aí? Parece que você guarda a minha vida inteira aí dentro. Li isso n’algum lugar...Tenho medo de mergulhar, descobrir sentidos que não são normais e que me arrancariam do meu mundo por onde sempre caminhei na ponta dos pés, sim, na pontinha dos pés, e com passadas lentas de astronauta, meio lerda, desligada... e agora vem você querendo brincar de me fazer levitar... Tudo isso é muito bonito, até eu me lembrar que o seu olhar não é pra mim, não é pra mim...
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E o seu sorriso é um convite escandaloso. E eu, uma desavisada que prefere ler o mundo com lentes cor-de-rosa 24 horas por dia (pelo menos é um rosa tom Cindy Lauper, não um rosa salmão ou pêssego), eu que preciso do tripé belezasonhopoesia pra me sustentar, eu que não sei de mais nada quando vejo o seu sorriso... um desenho, um mapa para não-sei-onde-mas-me-leva-assim-mesmo... eu viajo no seu sorriso. Posso até dar mil voltas ao mundo olhando o seu sorriso, e a cada volta preciso de um novo artifício pra me orientar. Confusão mental é pouco.
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Pervertida que sou, gosto de pensar na sua boca, sons, no bafo de álcool e café que ficam, nos beijos de que é capaz, nos soluços aflitos, nos soluços calmos, nos soluços bobos de Homem. Quais beijos ela me daria mesmo? Beijaria a minha testa, os meus olhos, a pinta na minha orelha esquerda? Ah, mas se beijasse e mordesse os meus ombros e a minha nuca, eu desmaiaria num derretimento tão meu, que só eu sei como é... e quando eu acordasse, meu filho, te daria o troco. A minha boca te faria pedir perdão, pois com ela te cobriria de mel e de tantos carinhos descabidos, com tanta devoção e ternura que você veria como eu sou de verdade. E então, eis uma briga dançada de bocas, e o nosso drama não terminaria aí. Mas a sua boca me é sagrada, não posso! Mas pervertida que sou...
Deixa pra lá.
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