11.4.08

Matemática.

Recordando a minha trajetória escolar, não sinto que sofri real pressão em épocas de provas. Nunca fui a primeira da turma, embora às vezes me encontrasse entre os 10 primeiros, digamos. Não gostava de estudar muito, preferia assistir televisão, ir pra minha aulinha de dança ou brincar na rua com os meninos, andar de bicicleta. Eu tentava me esquivar dos colegas que gostavam de conferir as notas entre eles, pois já me bastava a competição que travava em casa, com os meus irmãos. E assim fui levando, até tomar umas bombas em matemática, no ensino médio. Eu me recusava a aprender matemática. Não dava a mínima, ficava totalmente autista durante as aulas. Minha professora se chamava Marô. Ela não entendia como eu pude ter me classificado naquela turma, a primeira do colégio, a turma "A". Um belo dia ela me chamou no cantão e me perguntou o que estava acontecendo, e eu tive que inventar uma resposta à altura daquele drama. Para mim não estava acontecendo nada, estava tudo bem, só que eu não podia responder que achava matemática um saco! Daí menti: "estou passando por uma fase difícil, professora... meus pais estão se separando". Ela me disse uma frase solidária e me dispensou, tipo "ah, então tá explicado...". Ela me olhava com um pouco de pena, e eu retribuía, também ficava com pena dela, pois era uma excelente professora, engraçada, dedicada, bem humorada, e parecia não se conformar comigo, um desgosto naquela sala cheia de cobras criadas e prontas para arrebentar no vestibular da UFMG, do ITA... Continuei não gostando, tinha trocentas coisas mais importantes pra fazer na vida que me preocupar com matemática. Tomei bomba, mas no ano seguinte percebi que se não engolisse a matemática teria que ficar regurgitando a mesma física, a mesma química, a mesma história, a mesma biologia etc, para sempre...

2 comentários:

Anônimo disse...

Ei Lú!

Engraçado como a gente se parece...

Na oitava série qdo eu comecei a revoltar, passei pra de manhã e ficava dormindo na sala, o professor de matemática, Áureo era o nome dele, me perguntou, que que cê tem neste ano?, tá apaixonada? Eu fiz que sim com a cabeça e voltei a dormir. No ano anterior eu tinha arrebentado com ele, passei com 93, foi minha pior nota na sétima série, minha mãe recebeu cartinha de congratulações pela filhina c.d.f. Até que eu não era tão nerd assim não, acontece que eu tinha vindo do Stº Agostinho (Magnum Agostiniano, hoje em dia, e que já foi eleito o melhor colégio de BH, um tempo aí atrás) e estava agora numa escola mais relax, que era o Pitágoras, era só ler as apostilas que eles mandavam e pronto.

Além de já ter mentido pra professor - e às vezes falado a verdade, qdo, p.ex., um excelente professor de geografia chamado Ricardo(?) me instou a acordar, bem na manhã em que houve a vingança do Bin Laden, em onze de set. de 2001, e eu respondi: "Fessor, cê tá vendo que que tá acontecendo no mundo?, o mundo tá acabando, e cê quer que eu fique acordada, vendo tudo isso?... Cê acha que eu tenho cabeça pra ficar assistindo aula de geografia?", ele sorriu e disse: "Pode voltar a dormir, mas o mundo não vai acabar não" -, tbm fico super tensa com o terror que o povo da facul. coloca na gente e acabo tendo a mesma reação que vc: ressaca moral e ataque voraz à geladeira... estou tentando me controlar tbm, mas ainda não consegui. Bom, por falar nisso, já enrolei demais, tenho que estudar...

P.S.: Tbm sempre odiei a turminha dos nerds que ficavam disputando ponto... Quando entrei na adolescência mudei de turma, fui para o extremo oposto, matava aula pelo simples prazer de tá fazendo algo proibido, de mostrar que eu era capaz de quebrar regras etc., coisa de adolescente idiota. Agora "normalizei" e tento atingir um meio-termo, ainda trago em mim muitos resquícios de vagabundagem... debs...

Eu-lírico disse...

Débora, eu sou "A" vagaba, fia... invejo quem consegue esquentar a bunda numa cadeira por 4 horas, só estudando.