Recordando a minha trajetória escolar, não sinto que sofri real pressão em épocas de provas. Nunca fui a primeira da turma, embora às vezes me encontrasse entre os 10 primeiros, digamos. Não gostava de estudar muito, preferia assistir televisão, ir pra minha aulinha de dança ou brincar na rua com os meninos, andar de bicicleta. Eu tentava me esquivar dos colegas que gostavam de conferir as notas entre eles, pois já me bastava a competição que travava em casa, com os meus irmãos. E assim fui levando, até tomar umas bombas em matemática, no ensino médio. Eu me recusava a aprender matemática. Não dava a mínima, ficava totalmente autista durante as aulas. Minha professora se chamava Marô. Ela não entendia como eu pude ter me classificado naquela turma, a primeira do colégio, a turma "A". Um belo dia ela me chamou no cantão e me perguntou o que estava acontecendo, e eu tive que inventar uma resposta à altura daquele drama. Para mim não estava acontecendo nada, estava tudo bem, só que eu não podia responder que achava matemática um saco! Daí menti: "estou passando por uma fase difícil, professora... meus pais estão se separando". Ela me disse uma frase solidária e me dispensou, tipo "ah, então tá explicado...". Ela me olhava com um pouco de pena, e eu retribuía, também ficava com pena dela, pois era uma excelente professora, engraçada, dedicada, bem humorada, e parecia não se conformar comigo, um desgosto naquela sala cheia de cobras criadas e prontas para arrebentar no vestibular da UFMG, do ITA... Continuei não gostando, tinha trocentas coisas mais importantes pra fazer na vida que me preocupar com matemática. Tomei bomba, mas no ano seguinte percebi que se não engolisse a matemática teria que ficar regurgitando a mesma física, a mesma química, a mesma história, a mesma biologia etc, para sempre...
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